Thursday, September 14, 2017

Lapso

Os segundos parecem poucos
O 'tic-'tac' passa devagar
Um turbilhão de ideias já foi
No tempo que passei a contar
Dei a volta mundo e vim
Numa tour sensorial
Por entre estrelas cadentes
Só com o essencial
Caí de onde saí
Contei outra vez
E, se bem ou mal fiz..
As rugas marcam o tempo,
De que já me esqueci.

Thursday, July 20, 2017

Tesourinhos



Revejo-me hoje longe de quem foi
Que desfez e fez sem contar
Todas as pessoas em quem se viria a tornar
Acho, neste 'memento', à sombra de qualquer argumento,
Não fugimos ao tempo, e a certeza é inevitável,
A surpresa espreita e arrepia a alma
Numa explosão nostálgica de saudade,
Enquanto dançamos à luz de um pôr de sol chuvoso.



Lembras-te de mim?
Como dançávamos...
Como sorríamos ao som do canto de um rouxinoul
Na inocência das flores enquanto desabrocham
Na pureza do orvalho enquanto adornava
A manhã em que te disse 'Olá'
E tu fizeste o teu olhar esquecido
Numa breve circunstância
E lembraste-me
Eras minha.



Lembras-te de mim?

Monday, July 09, 2007

Beijos teus sabem a pouco
Adentro de nós o coração
Beijos teus sabem a pouco.
chega. deverei girar em torno de mim próprio até cair no vazio.
fim.

pois.

aqui.
eu.
aqui.
eu
aqui.
euªªªªªªªªªªªªªªªªªªªªªªªªªªªªªªªªªªªªªªªªªªªªªªªªªªªªªªªªªªªªªªªªªªªªªªªªªªªªªªH

Wednesday, November 22, 2006

Não sei. Não sinto. Não digo. Não faço. Não minto.
Não ligo. Não amo. Não choro.
Não largo. Não desisto. Não me farto. Minto.
Não te interesses. Não me sintas. Não digas nada.
Desiste. Larga-me. Estou em casa.
Não me interessa.
Volta para o beco de onde vieste.

Wednesday, April 12, 2006

Reflexões

As verdades são duras
Quando as verdades são ditas
É verdade.
Que nada mais que a verdade
Assim nos afecta, verdadeiramente.
Me afecta, conscientemente,
Dói, verdadeiramente.

E será verdadeira a dor,
A dor que, verdadeiramente, a mente ressente
A dor de um passado insolente
Que(de repente) rasga o caos que o preenche
O presente confuso mas ciente
Da lente demente que amplia o sentimento..?

Eis o meu rascunho, a minha bola de papel amarfanhada
Molhada, feliz com tantas outras...
Eis a minha cela, os meus trapos, a farpela
Com que me amarro ao quotidiano.
Eis Eu, vivo por pontos de interrogação e exclamações constantes, como que preso por alfinetes.
Eis Eu, perante a alegria de merda com que me senti hoje!
Eis Eu, foda-se, perante a merda de Alegria que nunca me sentiu!

...e nunca me senti tão bem.

Wednesday, February 15, 2006

"Someone must've cursed me with invisibility to the eyes of another..."

Se o que eu escrevo é mera sombra..
..Que forma poderá ter?

Se o que visualizas mera capa é...
..Então porque teima em não desaparecer?

Saborear o vento... Ao corrente da imaginação...
Olhar o futuro com olhos de ver...
E perceber..
..Que se calhar nem tudo está tão perdido assim.
Pensar que pôr um fim..
Nada mais seria que uma morte lenta...
Pensar que de mim,
Nada seria sem ti.

E tudo avança, enquanto eu, estaticamente, observo..
Atentamente.
E tudo muda, enquanto eu, parado, no meu cantinho, morro.
Lentamente.

E nunca mais ninguem se lembrou do pobre rapaz que um dia lhes deu a mão...
"And lived happily.. Ever after..."

Tuesday, February 14, 2006

Efémero.

Perco-me por entre as letras das palavras
E aparece, mais uma vez, o vazio que me preenche o consciente confuso.
Que vagueia.. Por um passado que se distorce no reflexo das águas em que me vejo...
Algo se aproxima, irradiando o meu ser.
Faz-se sentir com uma leveza que se torna intensamente pesada..
A ânsia renasce.
Fez perecer toda a lógica. Afogada..
..Em todo o Seu esplendor.
E a Dor
Não me deixa ser mais.

O Buraco.

Encontro-me, trancado.
Tranco-me, neste meu estado senil.
Sentado sobre o passado,
Assombrações de cores mil.

Penso no que vivi, no que se passou.
Vivo mais uma vez.. no sonho que não mais voltou...
E acho-me sem sentido, sem direcção.
E passam por mim as horas, e passa por mim a melancolia..
Que me enche a alma, de volta a depressão vazia.

De espírito cadavérico, encontro-me, trancado.
E tranco-me, escravo da falta de vontade.
Tranco-me sobre a verdade...

E TU sabes que mais?

Era tudo tão lindo se ainda fosse real...
Mas nada vive.. Nada morre...
Tudo permanece.. Na indiferença..
..Do sonho perfeito.